Transferência Irregular de Bancários no Grupo Santander: Uma Estratégia para Retirar Direitos

Transferência Irregular de Bancários no Grupo Santander: Uma Estratégia para Retirar Direitos

Não se trata de um procedimento administrativo comum. Tampouco de mera reorganização interna.

O que vem ocorrendo no grupo Santander é uma prática sistemática de transferência de bancários para empresas coligadas, com simples alteração de CNPJ, sem qualquer mudança real nas funções exercidas.

Desde 2021, sindicatos, entidades representativas e advogados trabalhistas vêm denunciando a migração forçada de empregados para empresas como F1RST, SX Tools, Prospera e SX Negócios.

O objetivo é claro: fragmentar a categoria, enfraquecer a negociação coletiva e reduzir custos às custas do trabalhador.

O impacto dessa manobra é imediato.

Ao ser deslocado para outro CNPJ, o bancário passa a perder direitos assegurados pela Convenção Coletiva, como participação nos lucros, jornada diferenciada, auxílios e benefícios históricos.

Enquanto o banco altera papéis, o trabalho continua o mesmo.

O empregado mantém suas atividades, metas, responsabilidades e cobranças — mas passa a receber menos garantias e menos proteção.

Essa contradição não passa despercebida pelo Judiciário.

A Justiça do Trabalho tem reconhecido, de forma reiterada, que essas transferências configuram fraude na relação de emprego, especialmente quando utilizadas para suprimir direitos e mascarar o verdadeiro vínculo bancário.

Não se trata apenas de irregularidade formal.

Estamos diante de uma prática que viola a legislação trabalhista, afronta a dignidade profissional e compromete o equilíbrio das relações coletivas.

Nenhum trabalhador é obrigado a aceitar esse tipo de imposição.

A transferência irregular não elimina direitos — ao contrário, pode gerar reintegração à categoria bancária, pagamento de diferenças salariais, reflexos, indenizações e demais reparações.

Se você foi transferido para outra empresa do grupo Santander sem alteração efetiva das suas atividades, não normalize essa situação.

Procure orientação jurídica especializada.

Fulvio Furtado
Sócio Fundador

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *